Thursday, March 4, 2010

SÃO 10 ANOS SEM CHARLES SCHULZ


Em 12 de fevereiro de 2000 falecia Charles Monroe Schulz, criador do beagle mais famoso do mundo, Snoopy, e do eterno fracassado Charlie Brown na série Peanuts, a qual desenhou por mais de 50 anos ininterruptamente.

Nomes como Quino (Mafalda) e Bill Watterson (Calvin e Haroldo) devem – e muito! – ao cartunista.

Schulz nasceu em Mineápolis, EUA. Cresceu na cidade de Saint Paul, Minnesota, onde passou toda a adolescência sendo um garoto tímido e solitário.

Em fevereiro de 1943, depois da morte da mãe, alista-se no exército, onde entra na Segunda Guerra Mundial como líder da esquadra de infantaria blindada em 1945.

Voltou da guerra para lecionar artes. Seus primeiros desenhos foram publicados no Ripley's Believe It or Not! (o famoso Acredite se quiser que também virou série de TV dos anos 1980), de Robert Ripley. Em 1947 criou Li'l Folks, tira semanal que durou dois anos, onde apresentava um cachorro bem parecido com Snoopy.

Seus personagens mais famosos foram publicados através da United Features Syndicate em 02 de outubro de 1950, em tiras diárias que posteriormente apareceria em mais de 2.600 jornais de 75 países. Peanuts teve um sucesso imenso, sendo transformado em uma série de desenho animado nos anos 1970 (além de quatro longas-metragens).


Uma das principais características das suas tiras é a personalidade que o autor coloca em cada personagem, reflexo da inspiração nas pessoas, acontecimentos e do seu cotidiano.

Os exemplos: a personagem Lucy, com personalidade mandona e sarcástica foi inspirada na primeira mulher de Schulz; a tal “garotinha ruiva” foi uma garota a qual pediu em casamento em 1950, padecendo da rejeição por toda vida; e o próprio Charlie Brown sendo o autor na infância. Um menino franzino que, por ser adiantado na escola, era o menor da classe, afastado pelos colegas e que nunca se deu bem nos esportes.

Em dezembro de 1999, anuncia sua despedida dos jornais, devido a problemas de saúde. Um mês depois, Charles M. Schulz teve um ataque cardíaco e faleceu aos 77 anos de idade.

Uma vez falou Se me dessem a chance de dar um presente para a próxima geração, seria a habilidade de cada indivíduo aprender a rir de si mesmo.

Não sabia, mas o presente já havia sido dado nas suas obras...

(Em tempo: no Brasil a Editora L&PM está lançando toda a coleção em ordem cronológica. Peanuts Completo são edições de luxo que terão 25 volumes.)

Wednesday, March 3, 2010

OS PIORES QUADRINHOS DE 2009?



Listei no Eu! Odeio! Isso! Aqui! 30 melhores quadrinhos lançados ano passado por aqui.

Parte 1 - Parte 2 - Parte 3

Mas na contramão, qual HQ foi decepcionante ou aquém do prometido? A lista seria maior caso ainda lesse as revistas mix de super-herói da Editora Panini (tirando algumas delas, claro) ou se lesse determinados mangás. Eis os “piores”:


Sasquatch: A Lenda do Pé-Grande (Devir)

Steve Niles (30 Dias de Noite) tem boas ideias de vez em quando (isso não quer dizer boas histórias), mas Sasquatch é pior do que filme B pretensioso. Com auxílio no roteiro do cantor/diretor Rob Zombie (Rejeitados pelo Diabo), eles tentam bater o recorde de clichês de filmes de terror já feitos numa HQ. E conseguem! Nem os desenhos do under Richard Corben, experiente em terror, ajudam!

Luluzinha Teen e sua turma (Pixel)

Li o primeiro número desta produção brasileira que é uma “resposta” ao marketing de Mauricio de Sousa com sua Turma da Mônica Jovem. Se for para descaracterizar personagens, lugares e situações da clássica personagem, eles conseguiram. Para piorar tem um blog do título que deve ser frequentado por cabeças pensantes fãs de novelinhas como Malhação.

Pixu (Devir)

Os gêmeos brazucas Fábio Moon e Gabriel Bá, mais a italiana Becky Cloonan e o grego Vasilis Lolos (todos junto com Rafael Grampá responsáveis pelo ótimo 5). Um álbum indicado ao Harvey Awards de Melhor Antologia. Daria algo errado com essa HQ feita a oito mãos? Daria. E muito. Uma história de terror (não tenho nada contra o gênero, okay?) com bonitos desenhos homogêneos, boa preparação do clímax e aonde não vai a lugar nenhum. Assista a um filme de terror como O Grito que será melhor...

Wolverine: Logan (Panini)

Brian K. Vaughan é responsável pelos excelentes Ex Machina e Y - O último homem, mas desperdiça seu talento com uma história fraca com um Wolverine highlander que sobrevive a bomba nuclear (!!) de Hiroshima, ainda por cima virgem (?!). Nem os desenhos de Eduardo Riso (100 Balas) sobrevivem e, de consolo por sua bravura de comprar a revista, você ganha uma réplica da placa de identificação do exército do personagem.

Morte do Superman - Volume 1 / Clássicos DC – Batman:- Morte em família (Panini)

As “mortes” do Homem de Aço e do Menino-prodígio podem estar na memória afetiva de muitos leitores da velha geração, que ainda eram inocentes e pensavam não haver mais continuidade para esses personagens, mas o reflexo de tais histórias se dava além da falta de criatividade na época. A indústria dos comics (principalmente dos títulos do Super-Homem) estava em baixa, tirando o que era vendido com os nomes de Jim Lee ou Todd McFarlane na capa. A saída? Matar personagens às pressas. Merchandising é merchandising e sempre existirão os caça-níqueis, as ressurreições e os relançamentos.

Invasão Secreta (Panini)

Brian Michael Bendis é um excelente escritor. Faz diálogos fluírem como se tivessem vida no papel. Quando ele se tornou mainstream demais a qualidade de seus trabalhos anteriores não o acompanhou. Brigas e mais brigas, explicações ridículas, mortes forçadas e um desfecho que não tem final. “Continua” ou nas revistas da linha Marvel, ou em outra “mega” saga. Destaque para os horríveis rabiscos de Leinil Francis Yu.

Crise Final (Panini)

Precisa falar das complicações dessa minissérie que não se sustenta em si? Ou ela é hermética demais ou não se vê o todo ainda. Como Grant Morrison diz que escreve pra si...

Lugar Nenhum (revista Vertigo, Panini)

Não vou falar que está minissérie originada da TV e do livro de Neil Gaiman não vai a lugar nenhum! Mas que tenho vontade de fazer o trocadilho, tenho... É como se toda àquelas ideias que Gaiman mastigava antes foram remastigadas por Mike Carey (Hellblazer), além de outros conceitos melhor desenvolvidos por Grant Morrison em Os Invisíveis. O que se salva são os desenhos do capista de Preacher, Grenn Fabry.

Sandman apresenta: Tessalíada (revista Vertigo, Panini)

Bill Willingham faz um bom trabalho na série Fábulas, mas acho que ele só será reconhecido por isso. Neil Gaiman – de certa forma – também é mais reconhecido por Sandman (apesar de ter pequenas obras-primas anteriormente). Willingham nos faz revisitar os personagens de Gaiman sem nenhuma surpresa e com ritmo de manual de instruções de “Como fazer um roteiro do Selo Vertigo”.

Predadores (Devir)

Nem tudo é maravilhoso nas HQs europeias. Um exemplo disso é a série Predadores, de Jean Dufaux e Enrico Marini (desenhista de O Escorpião). A história envolve seitas seculares, modernidade, magia e vampiros. Muita expectativa para uma reviravolta dos clichês do gênero, mas o que se vê é sua continuidade até o final. Graficamente bela, porém oca de enredo. O outro lado da Bande Dessinée.

Tuesday, March 2, 2010

Breakdowns: retrato do artista quando jovem %@$*!

Antes de tecer qualquer linha sobre este trabalho de Art Spiegelman e caso não conheça nenhum trabalho dele, corra pra livraria, sebo ou comic shop mais perto e adquira Maus - a história de um sobrevivente (lançada em duas partes pela Brasiliense e relançada em volume único pela Cia. das Letras). É OBRIGATÓRIO (assim mesmo, com letras garrafais!) para qualquer um que gosta de LER!
A HQ narra a história de Vladek, seu pai, um sobrevivente de Auschwitz, de forma peculiar: os judeus são ratos e os nazistas, gatos. Com Maus o autor foi o primeiro e único quadrinista a ganhar o prestigiado prêmio Pulitzer no começo dos anos 1980.
Voltando às linhas de Breakdowns - retrato do artista quando jovem %@$*! e voltando quase quatro décadas atrás, Spiegelman era um cartunista que queria ser reconhecido como “artista” e seu trabalho como “arte”. Nesta época bebia de várias fontes artísticas, desde o cubismo e expressionismo até os quadrinhos under de Crumb, usando-as para novos experimentos de narrativa.
Queria reunir todas suas HQs numa coletânea em formato gigante e com toda pompa do status quo que seu idealizador almejaria...
Almejaria, pois devido à má impressão e qualidade de papel, os exemplares de Breakdowns foram praticamente inutilizados.
Mais de 30 anos depois, Spiegelman revisita essa coletânea e o resultado foi lançado aqui no Brasil recentemente pelo selo Quadrinhos na Cia.: um luxuoso livrão (25,4 x 35,6 cm) capa dura de 80 páginas, não só com os quadrinhos setentistas, mas com uma “introdução” quadrinizada de 20 paginas (!) e um epílogo em prosa.
Aliás, fiquei mais entusiasmado com tal introdução (digamos “a cereja do bolo”) do que com o recheio em si. É ótimo (re)ver histórias como a expressionista O Prisioneiro do Planeta Inferno neste formato e não nas páginas “apertadas” de Maus, mas é melhor ainda ver a influência da nona arte na infância do autor ou como a sua obra-prima nascera!
Breakdowns não é o melhor de Spiegelman. Outro trabalho seu com a mesma suntuosidade editorial, À Sombra das Torres Ausentes, é bem superior. Mas Breakdowns é um Spiegelman inconformado, inquieto, metódico, subversor de si mesmo.
No epílogo, a artista cita Chris Ware, que revolucionou a linguagem das HQs com Jimmy Corrigan - O garoto mais esperto do mundo: “Quando você não entende uma pintura, você acha que é burro. Quando não entende uma história em quadrinhos, acha que o cartunista é burro.”
É de se refletir...

Monday, March 1, 2010

Johnny Cash: uma biografia (em quadrinhos)





Novata na área quadrinística, a Editora 8Inverso lançou neste semestre Johnny Cash: uma biografia (Johnny Cash: I see a darkness), do alemão Reinhard Kleist.
A obra ressalta o lado mais “sombrio” do cantor norte-americano, seu envolvimento com as drogas – lícitas e ilícitas – os problemas conjugais e fracassos musicais. Mas também o autor não esqueceu o lado que construiu o mito “Johnny Cash”.
Ao contrário do filme Johnny & June (Walk the Line), com Joaquin Phoenix e Reese Witherspoon, a HQ tem como fio condutor um detento da cadeia de Folsom. Ele compôs uma música para Cash quando soube de um concerto do músico no presídio.
Claro que temos também na narração a sua infância, a influência do irmão e o romance com June Carter, mas tudo como um segundo plano, que não faz vergonha nenhuma ter como coadjuvantes o Bob Dylan e o Elvis Presley.
Outra boa sacada do quadrinista é dramatizar as canções de Cash. Logo no começo uma introdução com I shot a man in Reno. Genial!
Pontos positivos da 8Inverso são os cuidados editoriais: uma boa encadernação com orelhas, papel anti-reflexivo, competente tradução (do jornalista Augusto Paim), glossário, capas originais (infelizmente em p&b) e uma excelente introdução assinada por Franz Dobler, especialista na área musical, que justifica porque a história em quadrinhos é melhor que o filme estrelado por Joaquin Phoenix.
O negativo vai para fonte e tamanho do incômodo letreiramento, a escolha da capa de tantas outras mais bonitas (segundo a editora foi a aprovação do próprio Kleist) e não situar os termos e palavras do glossário na HQ.
Johnny Cash: uma biografia é recomendado pra quem é fã ou não de música, quadrinhos ou biografias. E por falar nisso, o próximo lançamento da editora será Castro, do próprio Reinhard Kleist.


Sunday, February 28, 2010

Os Quadrinhos na Cia


 
EM BOA COMPANHIA
POUCOS meses atrás tivemos uma grata surpresa: a editora Cia. das Letras lançou seu selo, o Quadrinhos na Cia., com os lançamentos do nacional Jubiabá, a coletânea de álbuns do mestre Eisner Nova York – a vida na cidade grande e os badalados O Chinês Americano e Retalhos (arte acima).
A editora já tinha lançado quadrinhos muito bons como Persépolis, de Marjane Satrapi, e obras-primas como Maus, do Art Spiegelman.
Confesso que ainda não comprei Jubiabá, baseado no romance do Jorge Amado (aquele que tem a “Lanterna dos Afogados” que o Paralamas do Sucesso canta), mas tenho ótimas referências do cartunista Spacca por obras como Santô e os pais da aviação e D. João Carioca (que teve até uma “animação” pelo canal Futura), ambos publicados pela mesma Cia.
Antes de Nova York, a editora tinha lançado Fagin, o judeu, algumas adaptações da literatura e a derradeira obra de Will Eisner (falecido em 2005), O Complô. Este novo álbum – um verdadeiro calhamaço de 440 páginas! – reúne as obras Nova York – a grande cidade (lançada nos anos 1980 pela Martins Fontes), O Edifício (publicada no início dos anos 90 pela Abril) e os inéditos Cadernos de Tipos Urbanos e Pessoas Invisíveis.
Se você gosta de quadrinhos compre! Se não gosta, compre! Se “qualquer coisa”, compre! É ótimo observar em novas (re)leituras o poder que ainda emana dessas narrativas (com ilustrações que não foram publicadas antes aqui!). É ótimo também ler pela primeira vez histórias emocionantes e sensíveis como Pessoas Invisíveis. Obrigatório para você que chegou até aqui e ainda continua lendo esta coluna!
Esperava mais de O Chinês Americano, de Gene Luen Yang. Três histórias são contadas em paralelo e se juntam no final: a lenda do Rei Macaco (que influenciou a série Dragon Ball), a adaptação de um sino-americano na escola e a visita de um parente chinês aos EUA em ritmo de sitcom.
A obra que foi finalista do National Book Award tem boas tiradas visuais, mas não aparenta a genialidade que falavam lá fora. Mas para mim não convence (ou eu estava esperando muito por ela, vai saber!)...
Retalhos, do Craig Thompson, é ótimo! O melhor depois de Eisner! O calhamaço (outro!) de 600 páginas narra a infância e adolescência do autor na nevada cidadezinha de Wisconsin. Como foi sua criação sob educação severamente cristã dos pais, o convívio ao lado do irmão caçula e a descoberta do primeiro amor com todas as angústias que isso pode trazer.
Belamente ilustrado. Belamente contado. O silêncio e as imagens por vezes são mais poderosos do que as palavras em si! Thompson vira ao Brasil para o FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, em outubro!
Em tempo: brevemente será lançado Umbigo sem fundo, de Dash Shaw (que também virá ao País para a Bienal do Livro no Rio de janeiro) , outra HQ que teve enorme destaque no circuito, e Cachalote, de Daniel Galera e Rafa Coutinho, filho de Laerte.


Estamos em boa companhia ou não estamos?

Friday, February 19, 2010

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Vida em quadrinhos

Adolescência. No olhar do adulto, essa ebulição pela construção de identidade(s) soa conflitante, errática. Todavia, ela pavimenta o começo de uma caminhada própria. Por isso a crítica soa tão dolorosa para o adolescente: ele está tateando quem quer ser. O olhar alheio, intruso, alimenta ainda mais conflitos, já que o jovem não tem convicção de suas escolhas. Ainda mais quando hoje se fala em adolescência estendida. Em alguns casos, sem fim.

Essa busca do eu é necessária: o amor entre pais e filhos é o único que, se bem sucedido, termina em separação.

Todavia, é difícil crescer, até porque não há um lugar a se alcançar. A experiêcia consolida diariamente quem somos, de preferência sem existir dicotomia entre nossos valores e nossos atos.

Pode ser um período de transição, mas as respostas precisam ser urgentes. Uma personagem da HQ Retalhos, de Craig Thompson, por exemplo, não acredita no amanhã.

Retalhos é mais uma graphic novel autobiográfica. Assim como outras publicações recentes -como Fun Home: Uma Tragicomédia em Família , de Alison Bechdel e Persépolis, de Marjane Satrapi, Retalhos destaca a fase de transição para a vida adulta.

Se outras graphic novels ligam-se a aspectos específicos da vida de seus autores que foram importantes nessa construção do eu (a revolução religiosa em Persépolis e a homosexualidade de Bechdel e de seu pai em Fun Home) Retalhos, basicamente, versa sobre um sonhador, daqueles que miram para longe da realidade, recriando seu mundo, já que o real não lhe acolhe. Tempos difíceis para pessoas assim. Muitas vezes, não se desdenha apenas do sonho, mas sim do ato de sonhar. E eles são instados a acordar.

O sonhador passivo muitas vezes é visto não como alguém que imagina uma nova realidade, mas sim foge dela.

E eis que surge uma garota. O problema é que esse ser amado é precedido por experiências imaginadas, quase sempre idealizadas. São anos de relações vividas no imaginário, o que cria muitas espectivas diante da experiência “real”.

Ademais, o outro é visto como alguém que irá preencher vazios, redimir uma vida muitas vezes solitária. Irá “completar” o outro, quando na verdade pode estar preenchendo espaços próprios de cada indivíduo, que deveriam ter sido desenvolvidos por ele. Se me falta coragem, o outro vai me defender. Se não tenho auto-estima, o outro vai louvar meus feitos.

O sonhador possui uma edução afetiva calcada na fantasia, e não na experiência. Se esse afeto em demasia causa atração num primeiro momento, com o tempo essa dedicação gera conflitos. Até porque estar numa relação consome toda a atenção dessa pessoa, já que muitas vezes ela não possui outras paixões.

E o amor, eterno enquanto dura, chega ao fim. E aí surge ela, a cruel realidade. A vontade de se colocar como vítima do mundo faz com que muitos procurem novamente o casulo. A realidade invade até um campo vivido apenas em sonho, o amor. Até esse refúgio do mundo foi contaminado.

Daí você pode se retrair… Ou aprender com a experiência, misturando sonho com realidade, algo salutar: ao mesmo tempo que permite viver o real, também lhe projeta para a frente. A realidade não lhe restringe, expande: constrói-se o que era apenas idealizado. Você realiza… seus sonhos.

Certa vez, um amigo desdenhou as HQs por achar que se tratava apenas de um mundo habitado por super-heróis. Talvez o autor de Retalhos quisesse possuir poderes especiais para lidar com a realidade. Indefeso, age apenas como um ser humano.